segunda-feira, 20 de maio de 2013

Conhecendo um pouco a Umbanda


As Umbandas dentro da Umbanda (Ramificações – Subgrupos)

Vamos elucidar sobre essa questão delicada e necessária, pois o leigo fica confuso com tantos tipos de rituais, liturgias e doutrinas, todas usando a denominação “Umbanda”. Para quem não conhece a fundo, isso torna-se estranho e acabam por dizerem: Você pratica a Umbanda Branca? Você pratica Quimbanda? No seu Terreiro tem despacho? No seu Terreiro tem atabaque? Então, para dirimir essas dúvidas, vamos sucintamente esclarecer os vários “tipos” de Umbandas conhecidas por nós, existentes em solo brasileiro, para que cada um possa agora entender e respeitar as práticas das mais variadas umbandas existentes.

Desde a sua iniciação, a Umbanda tem sofrido modificações em seu modo de ser e operar. Dessas modificações, cada um deu uma roupagem e deviam dar uma nomenclatura própria para se situarem perante a comunidade. Cremos que tudo isso não se deu pelo simples fato de cada um querer impor a sua verdade, mas simplesmente estavam realizando aquilo que suas mentes achavam estar correto.

Cada um, com certeza deu tudo de si, para o que estava fazendo frutificasse, e no fim, todos estavam envidando esforços para praticarem o que entendiam como Religião de Umbanda. Hoje temos várias ramificações da Umbanda que guardam raízes muito fortes com as bases iniciais, e algumas que absorveram características de outros cultos, mas que mantém a mesma essência nos objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé.

Antes do advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas, o que existia era conhecido como “Macumba”; onde podemos encontrar uma forte influência de práticas do Catimbó, bem como da Magia africana praticada por alguns, pois o Candomblé estruturado surgiu no Rio de Janeiro muito tempo depois da Umbanda (segundo informações do antropólogo Reginaldo Prandi). Ainda não se conhecia o termo “Umbanda”. João do Rio, em sua obra “Religiões do Rio” de 1904, onde pesquisou toda a religiosidade existente na antiga Capital Federal, não citou em nenhum momento o nome Umbanda; portanto, poderiam existir manifestações de Índios, Pretos- Velhos, etc., aqui e acolá, remanescentes do Catimbó, ou mesmo os primeiros bruxuleios da nova modalidade religiosa, mas ainda não se tinha iniciado a religiosidade de Umbanda, coisa que viria mais tarde, em 1908, através da mediunidade de Zélio Fernandino de Morais, com o Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas [grifo nosso].

Vamos disponibilizar um texto muito interessante e inteligentemente escrito pelo senhor Cláudio Zeus, em seu livro: “Umbanda sem medo” (disponível gratuitamente em seu blog):
Umbanda – Uma seita afro?

Por que é importante sabermos que o termo Umbanda, como Culto ou religião, pertence ao Caboclo das Sete Encruzilhadas. A importância da divulgação desse tema se prende a fatores que, embora possam parecer fúteis, a uma primeira vista, (e apenas a uma primeira vista) na verdade coloca freios em muita gente que insiste que faz Umbanda e que, além de não conhecer suas origens, nada faz de Umbanda – é isso que incomoda e faz com que muitos tentem minimizar ou até mesmo desqualificar a importância que Zélio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas têm para o que ele chamou Umbanda. Vou tentar explicar os meandros e as segundas intenções desse tema de debate que muito se vê pelas comunidades do Orkut, MSN e outros.

1º Ponto: Nunca, ninguém havia chamado de Umbanda a nenhum tipo de culto anteriormente. O que tentam fazer hoje é aproximar o termo embanda (afro) que quer dizer curandeiro para uns (e chefe de culto para outros) e não algum tipo de culto como esse que o Caboclo chamou Umbanda – o culto;

2º Ponto: O Caboclo deixou algumas informações precisas sobre o que seria Umbanda, e isso é o que incomoda mais porque, se observarmos essas diretrizes, aí sim, veremos que alguns grupamentos não poderiam se chamar de Umbanda, o que leva alguns outros a “desconhecerem”, muito propositalmente, o texto que será apresentado abaixo e chegarem a dizer que o que o Caboclo fez foi apenas uma “socialização” do que já havia antes, o que, para qualquer um que saiba ler (e nem precisa interpretar) vai perceber que não poderia ser.

Vamos ver o que o Caboclo nos deixou de informações sobre o Culto que ele mesmo diria – iniciar-se naquele dia. Preste atenção porque aqui se define o que é a Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas (palavras do Caboclo):

Aqui inicia-se um novo culto em que os Espíritos de Pretos-Velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno, será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como Mestre Supremo Cristo

Percebemos então, nestes 03 trechos que:

a) Esse era um novo culto – O Caboclo afirmou ser um novo culto e não uma corruptela de algo já existente; 

b) Que esse novo culto se distanciava das seitas negras deturpadas e dirigidas para a feitiçaria, porque os próprios Pretos-Velhos africanos e os índios nativos de nossa Terra (Os chamados Caboclos) não encontravam campo de ação (possibilidade de trabalharem) nesses grupamentos – Isso era o que existia antes e era disso que Umbanda, então criada, deveria se distanciar;

c) Esse seria um Culto embasado no Evangelho de Jesus, reconhecendo-o, inclusive, como “MESTRE SUPREMO” [grifo nosso]. Por que eu lhe afirmo que divulgar isso, inclusive até mesmo a existência de Zélio e do Caboclo, não se torna interessante para uma grande parte? Porque, após a criação e não socialização ou codificação do que já existia, muitos dos inúmeros grupamentos já existentes, (como acontece até hoje), passaram a se autodenominar Umbanda, mesmo passando por cima desses preceitos deixados pelo Caboclo, criando-se então, a confusão que encontramos hoje, inclusive com alguns afirmando que a Umbanda tem que se afastar dos ensinamentos cristãos e abraçar mais os fundamentos afro... Mas como isso poderia ser, se a Umbanda foi criada em cima de bases cristãs?

O que se percebe então? Percebe-se que há um movimento deturpatório do que foi deixado pelo CDSE (Caboclo das Sete Encruzilhadas), em função das “vontades” daqueles que resolveram ir fazer cabeça no Candomblé e depois vieram “bater Umbanda”, como gostam de dizer. Ora... bater Umbanda, como se Umbanda fosse Candomblé? Em Candomblé sim, “se bate para os Orixás” porque os Xirês são nada mais do que festividades, toques, como também chamam em louvor aos Orixás e nunca foram Giras de Caridade.
Todos os atendimentos em Candomblés de raiz só são feitos pelo Babalorixá ou Yalorixá e através dos jogos de búzios, opelês (em menor quantidade) e obís. Não há consultas dentro dos Xirês e, nos que hoje há, é porque já se modificaram e se distanciaram de suas raízes, até porque, quem bate papo e dá consultas são os eguns ou catiços, como são chamados alguns tipos de Caboclos e entidades intermediárias. E vejam que até hoje, os Pretos-Velhos, que seriam remanescentes dessa mesma crença, por “terem sido escravos, negros e africanos” ainda não são aceitos na maioria dos Candomblés. Alguns aceitaram alguns Caboclos porque muitos ainda crêem que eles também são encantados.

Minimizar, ou não divulgar o que era a verdadeira Umbanda, a de raiz, a do Caboclo das Sete Encruzilhadas é, e sempre será importante para os que têm medo da verdade e pretendem abrir Terreiros com fundamentos estranhos, de matanças, feitiçarias, amarrações, etc. [grifo nosso], e se anunciarem como Umbanda. No meu entender, o mais honesto seria que cada grupamento que hoje se diz apenas de Umbanda, se intitulasse, como outros que já o fazem, por exemplo: Umbanda Omolocô, Umbanda Cabula, Esotérica, de Angola e outras mais, já que fogem às Regras básicas que o Caboclo deixou para o seu novo culto (ou seja: não são de bases cristãs), para não deixarem aqueles que nada entendem disso sem saberem, afinal, a que tipo de Umbanda estão adentrando.

O que essas pessoas têm que colocar na cabeça é que o nome Umbanda, como culto, pertence ao CDSE (ainda que ele não a tenha registrado) e mesmo eu ou você, que praticamos a Umbanda Traçada (que é diferente da Umbandomblé embora muitos confundam), temos que reconhecer que não seguimos a linha doutrinária determinada pelo CDSE – Umbanda com base totalmente cristã – o que não nos tira qualquer valor ou mérito, já que os objetivos finais – Caridade e Amor Fraterno – também são buscados, apenas por caminhos diferentes.

O que essas pessoas têm que pôr na cabeça é que devem assumir o tipo ou subgrupo de Umbanda que seguem e, jamais quererem mudar o principal da Umbanda que é a fé, a caridade, o amor ao próximo e, principalmente, também devem assumir que, se estão ligados a Espíritos e encarnados que só sabem fazer feitiçarias, mandingas, amarrações, intrigas, então, nem o nome Umbanda deveria ser usado em seus Cultos, já que, desde a criação, isso foi contrariado pelo Caboclo.
Escrevi acima que Umbanda Traçada é diferente de Umbandomblé e, para muitos, isso pode parecer estranho, mas não é.

Acontece que existem, generalizando, três tipos de Umbanda [a Umbanda propriamente dita, criada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, a Umbanda Traçada e o Umbandomblé] e as explico abaixo:

– Umbanda: A que foi criada pelo CDSE, com bases claramente cristãs – até os Terreiros que foram criados pelo Caboclo tinham nomes de Santos católicos. Os praticantes dessa Umbanda não admitiam (e acho que ainda não admitem) bebidas ou atabaques em seus rituais. Quando muito, o fumo das entidades;

*Nota do autor: Essa Umbanda nós conhecemos como: LINHA BRANCA DE UMBANDA – Oriunda do Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestado no médium Zélio Fernandino de Moraes que lançou as bases dos ensinamento de Jesus na Umbanda, baseada na caridade sem fins pecuniários e na doutrina dos Evangelhos. Não tinha sujeição a Orixás, atabaques, feituras de santo, adereços e nenhuma influência dos cultos afros. Todas as outras ramificações guardam vínculos com a Linha Branca de Umbanda do Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Leal de Souza dirigia a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, uma das filiais que formam o septo de casas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, relatou ao Jornal de Umbanda, na edição de Outubro de 1952, que coubera ao Caboclo das Sete Encruzilhadas a incumbência de organizar a “Linha Branca de Umbanda”, seguindo as determinações dos “Guias Superiores” que regem o planeta.
Leal de Souza, em seu livro “O ESPIRITISMO, A MAGIA E AS SETE LINHAS DE UMBANDA – 1933” escreveu: “A Linha Branca de Umbanda e Demanda tem o seu fundamento no exemplo de Jesus...” – “O objetivo da Linha Branca de Umbanda e Demanda é a prática da caridade, libertando de obsessões, curando as moléstias de origem ou ligação espiritual, desmanchando os trabalhos de magia negra, e preparando um ambiente favorável a operosidade de seus adeptos...” – “Para dar desempenho a sua missão na Terra, o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou quatro Tendas em Niterói e nesta cidade, e outras fora das duas capitais, e todas da Linha Branca de Umbanda e Demanda...” – “A Linha Branca de Umbanda e Demanda está perfeitamente enquadrada na doutrina de Allan Kardec e nos livros do grande codificador, nada se encontra susceptível de condená-la...” – “E o amor de Deus e a prática do bem são a divisa da Linha Branca de Umbanda e Demanda”.
Este termo foi realçado no 1o Congresso Nacional de Umbanda sob o título: “INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA LINHA BRANCA DE UMBANDA” – Memória apresentada pela Cabana de Pai Thomé do Senhor do Bonfim, na sessão de 26 de Outubro de 1941, pelo seu Delegado Sr. Josué Mendes. Visava o estudo aprofundado da temática mediúnica, bem como diferenciar as práticas umbandistas tradicionais das práticas emergentes onde a mistura de cultos afros com Umbanda já se fazia presente. Com isso, a partir daí, toda prática umbandista distanciada de ritualísticas afro, baixas magias, despachos para o mal, etc., e aproximada das práticas preconizadas pelo Evangelho Redentor, vestuário branco, orações, desobsessão, etc., era rotulada pelo povo de “Umbanda Branca”. Com tudo isso, a partir daí, diferenciando as práticas de baixo espiritismo, totemismo, feitiçarias, macumbarias e qualquer sorte de malefícios, o povo passou a classificar as práticas de Umbanda voltadas a caridade, evangelização, desobsessão, bênçãos, desmanches de magias negras, etc., como práticas da “Umbanda Branca”. Esse termo ficou plantado na mente do povo como designativo de Umbanda voltada ao amor e a Espiritualidade Superior. Até hoje, 2009, quando muitos assistidos entram num Templo Umbandista, imediatamente perguntam: Aqui pratica-se Umbanda Branca?
Hoje, observamos muito irmãos umbandistas se apegarem ao fato de quem se intitular praticante da “Umbanda Branca” está sendo preconceituoso, pois, jocosamente, dizem não existir também Umbanda vermelha, Umbanda verde, etc. Esqueceram-se o fato importante, de muito indivíduos abrirem suas casas com o nome de Umbanda, mas praticam cultos estranhos, distanciados no Evangelho Redentor. Por isso, para diferenciar a Umbanda original das práticas estranhas, com doutrinas, magias, crenças e rituais que nada aproximavam no preconizado por Nosso Senhor Jesus Cristo, defendido pelo Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas e seus seguidores, se intitulava, de “Linha Branca de Umbanda”. Não adianta querermos tapar o Sol com a peneira; somos sabedores da existência de muito Terreiros que se denominam de Umbanda, mas estão largamente distanciados da linha mestra.
Portanto o termo “Umbanda Branca” foi e é usado pelo povo, para saberem se o local que estão entrando, prática magia branca. É só isso.

– Umbanda Traçada: A que admitiu (a princípio ou posteriormente) a presença (como trabalhadores) dos Exus e Pombas-Gira, personagens da Quimbanda que eram até temidos no início e hoje já viraram Guardiões, e outras entidades intermediárias, trabalhadores de excelente performance, sempre visando a caridade, porque, se assim não for, não podem se considerar Umbanda. É chamada de Traçada ou Cruzada porque nela existe o cruzamento (ou entrelaçamento) de dois tipos de trabalhadores: os de Umbanda (Caboclos - índios nativos - e Pretos Velhos) e os de Quimbanda (Exus, Pomba-Gira, Bugres, Malandros, etc.);

* Nota do autor: Essa Umbanda nós conhecemos como: Umbanda Traçada, Mista ou Cruzada – Tem influência do Catimbó, do sincretismo e suas práticas. Faz uso indiscriminado de oferendas, despachos e algumas casas, de bebidas alcoólicas. Sem cunho e estudo doutrinário próprio. Tem o uso de atabaques e/ou tambores. Largo uso de roupagens coloridas, adereços, danças e festas (internas e externas). Tem muita proximidade com os trabalhos da Umbanda Popular.

– Umbandomblé: Todas as Umbandas que praticam em seus Cultos, os ritos absorvidos dos Candomblés, seja de que nação forem. Nessas Umbandas há “toques” para Orixás, costumam usar brajás ao invés de guias, recolhem “filhos de santo”, usam quelês, sacrificam e colocam “oxu” nos oris de seus adeptos ... e por aí vai. O que as assemelha à Umbanda original e as afasta do Candomblé de raiz é o trabalho com entidades tipo Pretos-Velhos e Caboclos e mesmo Exus infiltrados (porque esses não são os Orixás-Exu das nações) que vêm, ...... aí sim, trabalhar para a caridade.

*Nota do autor: Essa Umbanda nós conhecemos como Umbanda Omolocô (também conhecida como Umbanda Primitiva, de Almas e Angola): Iniciada pelo Tatá Trancredo da Silva em 1950, onde encontramos um misto entre os Cultos, liturgias, rituais africanos (bantu) e o trabalho direcionado por Guias Espirituais. Faz uso de camarinhas, sacrifícios de animais, ebós, raspagens, catulagem, etc. Usando a Umbanda como fonte matricial, para esta via alternativa, Tancredo organizou o que vulgarmente é denominado de Umbandomblé. Influenciou grandemente as práticas da conhecida Umbanda Popular As Umbandas Traçadas ou Cruzadas não absorveram, necessariamente, ritos e práticas afro, e essa é a grande diferença delas para a Umbandomblé. Algumas até absorveram mais algumas entidades de Catimbó e outros grupamentos de raízes nordestinas e outras ainda, preferiram “cruzar” seus ensinamentos com os dos “Mestres Orientais”.
Eu colocaria ainda, como subgrupo das Umbandas Traçadas ou Cruzadas, as Umbandas Esotéricas e mesmo as Iniciáticas, já que nelas, além dos trabalhos com as entidades já citadas, existe a adaptação de ensinamentos e até mesmo de entidades tidas como “orientais” e sábios de outras nações que não as africanas. E diria mais ainda: Em termos de abertura para novas aprendizagens, a Umbanda Traçada é a que mais se encontra nessa posição, já que as outras duas tendem a se prender muito em suas raízes (ou cristãs, ou afro) e desmerecerem alguns dos conhecimentos mais modernos que nos chegam através de outras correntes de Espíritos e mesmo da ciência.
Que isso não seja tomado como desmerecimento para qualquer tipo de Umbanda, pois, guardadas as devidas proporções e se o Culto visa à caridade, o amor fraterno e a fé, então todas têm em si a semente de Umbanda, ainda que não seja exatamente a que o CDSE criou. Agora, se alguém cria um agrupamento para misturarem Cultos “ao deus dará”, explorar a caridade, impingir medos aos seus seguidores, sair matando cães e gatos pra saciar suas sedes de sangue e de impressionismo... aí, pelo amor de Deus, isso não pode ser chamado de Umbanda!!! [grifo nosso]
Custa muito às diversas Umbandas se identificarem por suas raízes ou suas doutrinas para que nem tudo seja apenas Umbanda? Vão ficar menos Umbanda por causa disto? Vamos a um raciocínio? Imaginemos que você que agora me lê, através de uma entidade ou não, venha a criar amanhã, um novo Culto espiritualista, digamos... “ALABANDA”, e nos diz que este será um novo Culto que só fará trabalhos através dos Ciganos e Boiadeiros, por exemplo, e também será voltado exclusivamente para as práticas Ciganas e a magia dos Boiadeiros.
Depois de alguns anos você vê que alguns outros grupos que passaram a se autodenominar “ALABANDA”, trabalham com Mineiros, com Orixás de Nação e suas “obrigações”, com Exus, Caboclos, Pretos-Velhos, Baianos, Malandros, tentam decifrar o que seria “ALABANDA”, mas não ousam perguntar a você, que foi o (a) criador (a), o que seria, e ainda por cima, depois disso tudo ainda começam a discutir porque acham que “ALABANDA” deveria “voltar às raízes afro” já que os “Orixás” são afro.
O que você diria, honestamente? Foi isso o que aconteceu com a Umbanda criada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Não seria melhor que cada Alabanda dessas que se formou após, se identificasse convenientemente? Eis aí o porquê de, desde muitos anos atrás (isso não é de hoje), já se falar de codificação de Umbanda e até hoje, ninguém saber exatamente qual das Umbandas se vai codificar – todas, não dá mesmo!
De minha parte posso lhes dizer que a Umbanda que eu pratico é totalmente Cruzada e praticamente nada nela existe de Ritual de Nação Afro, embora tenha que conhecer alguns fundamentos para casos em que certos problemas mediúnicos tenham origem em entidades específicas. Talvez a melhor descrição para ela seria de Umbanda Aberta. Sempre aberta para melhores conhecimentos e aprimoramentos ritualísticos que realmente possam ter fundamento, venham de onde vierem.
Concordamos com os apontamos do senhor Cláudio Zeus, só diferenciando em um aspecto:
Na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, já se trabalhava com Exus (de forma diferenciada; lá não tinha gira com atendimento de Exu; só vinham para resolver casos específicos), portanto, não seria a Umbanda Traçada que recebeu em seu seio essas entidades espirituais, segundo o relato que comprova esse fato numa entrevista gravada com o Sr. Zélio Fernandino de Moraes no dia 22 de outubro de 1970, que faz algumas referências ao trabalho com Exus na Tenda Nossa Senhora da Piedade: “Fita de No. 50 da Biblioteca da Casa Branca de Oxalá. Gravação feita com a voz de Zélio de Moraes”. (a disposição no site: www.casabrancadeoxala.org).

Vamos apontar outras ramificações e/ou sub-grupos da Umbanda do nosso conhecimento

– Umbanda de Mesa Branca: De expressiva influência da chamada “Religião Espírita”. Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos africanos (Orixás), nem o trabalho dos Exus e das Pombas-Gira, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinária se prende mais ao trabalho de Guias como Caboclos, Pretos Velhos, Crianças e Linha do Oriente somente. Trabalham com desobsessão e curas.

– Umbanda Esotérica: “É a vertente fundamentada pelo médium Woodrow Wilson da Matta e Silva, também conhecido com mestre Yapacani (28/06/1917 – 17/04/1988), surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 1956, com a publicação do livro “Umbanda de todos nós”. Sua doutrina é fortemente influenciada pela Teosofia, pela Astrologia, pela Cabala e por outras escolas ocultistas mundiais e baseada no instrumento esotérico conhecido como Arqueômetro, criado por Saint Yves D’Alveydre e com o qual se acredita ser possível conhecer uma linguagem oculta universal que relaciona os símbolos astrológicos, as combinações numerológicas, as relações da cabala e o uso das cores”. (http://registrosdeumbanda.wordpress.com). Apregoam que a Umbanda é milenar, e possuem um código doutrinário próprio, com rituais, liturgias e sacramentos particulares.

– Umbanda Iniciática: É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundamentada pelo médium Francisco Rivas Neto, onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Aumbhandan, o Ponto de Convergência e Síntese. Também possuem um código doutrinário próprio, com rituais, liturgias e sacramentos particulares.

– Umbandaime: Em 1989, quando se iniciaram os trabalhos de Umbanda, na Igreja Damisita “Céu do Mapiá” (AM), seu iniciador, o Padrinho Sebastião intitulou-o de Umbandaime. Tem muita proximidade com os trabalhos da Umbanda Popular, mais a ingestão do Ayuaska (Santo Daime).

– Umbantimbó: Esse termo foi introduzido por nós, para classificar as muitas práticas de umbandas pelo nordeste, onde, antigamente praticava-se Catimbó, e com o tempo, transformaram-se em Umbanda. Mas a mistura prevalece inclusive alguns adotando ritualísticas do Candomblé, com sacrifício de animais. [grifo nosso] Atualmente, em São Paulo, devido a surgirem “cursos” de Catimbó, muitos Terreiros estão aderindo à suas práticas, introduzindo-a no seu calendário ritualístico e litúrgico, inclusive, abrindo dias específicos para práticas do Catimbó.

– Umbanda Aumpram: É a vertente fundamentada pelo médium Roger Feraudy (1923 – 22/03/2006), surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 1986, com a publicação do livro “Umbanda, essa desconhecida”. Esta vertente é uma derivação da Umbanda Esotérica, das quais foi se distanciando ao adotar os trabalhos de apometria e ao desenvolver a sua doutrina da origem da Umbanda, a qual prega que a mesma surgiu a 700.000 anos em dois continentes míticos perdidos, Lemúria e Atlântida, que teriam afundado no oceano em um cataclismo planetário, os quais teriam sido os locais em que terráqueos e seres extraterrestres teriam vivido juntos e onde estes teriam ensinado àqueles sobre o Aumpram, a verdadeira lei divina. (http://registrosdeumbanda.wordpress.com)

– Umbanda Popular: Tem forte influência de ritualísticas do Candomblé, do Catimbó, do sincretismo e suas práticas. Faz uso indiscriminado de oferendas, despachos e algumas casas, de bebidas alcoólicas. Sem cunho e estudo doutrinário próprio. Tem o uso de atabaques e/ou tambores. Largo uso de roupagens coloridas, adereços, danças e festas (internas e externas). Embora com influência do Candomblé, não realizam ritualísticas com sacrifícios de animais, a não ser em alguns casos particulares, onde alguns sacerdotes, às escondidas, praticam tal ato numa ritualística solitária e pessoal, mas não como prática religiosa de Terreiro. Arregimenta a maioria dos Terreiros ditos de Umbanda. “É uma das mais antigas vertentes, fruto da umbandização de antigas casas de Macumbas, porém não existe registro da data e do local inicial em que começou a ser praticada. É a vertente mais aberta a novidades, podendo ser comparada, guardada as devidas proporções, com o que alguns estudiosos da religião identificam como uma característica própria da religiosidade das grandes cidades do mundo ocidental na atualidade, onde os indivíduos escolhem, como se estivessem em um supermercado, e adotam as práticas místicas e religiosas que mais lhe convêm, podendo, inclusive, associar aquelas de duas ou mais religiões”. (http://registrosdeumbanda.wordpress.com)

– Umbanda Mirim: Assim nominamos o subgrupo que teve e tem uma grande influência em muitos Terreiros. Iniciado pelo Caboclo Mirim através de seu médium – Benjamim Figueiredo. Tem doutrina e característica própria. Não utiliza imagens de Santos e nem sincretismo; não fazem uso das guias no pescoço e nem trabalhos com Exus e Pombas-Gira. Faz uso de tambores somente em giras de confraternização (1 vez por mês), roupagens somente brancas; não utiliza bebidas alcoólicas e abomina a matança de animais [grifo nosso]. Desvinculou-se totalmente da doutrina, ritualística e liturgias dos cultos afros.

– Umbanda Eclética Maior: É a vertente fundamentada pelo médium Oceano de Sá (23/02/1911 – 21/04/1985), mais conhecido como mestre Yokaanam, surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 27/03/1946, com a fundação da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal.

– Umbanda Guaracyana: É a vertente fundamentada pelo médium Sebastião Gomes de Souza (1950-), mais conhecido como Carlos Buby, surgida em São Paulo, SP, em 02/08/1973, com a fundação da Templo Guaracy do Brasil. 

– Umbanda dos Sete Raios: É a vertente fundamentada por Ney Nery do Reis (Itabuna, (26/09/1929 –), mais conhecido como Omolubá, e por Israel Cysneiros, surgida no Rio de Janeiro, RJ, em novembro de 1978, com a publicação do livro “Fundamentos de Umbanda – Revelação Religiosa” .

– Umbanda Sagrada: É a vertente fundamentada pelo médium Rubens Saraceni, surgida em São Paulo/SP, em 1996, com a criação do Curso de Teologia de Umbanda. Sua doutrina procura ser totalmente independente das doutrinas africanistas, espírita, católica, orientalista e esotérica, pois
considera que a Umbanda possui fundamentos próprios e independentes dessas tradições, embora reconheça a influências das mesmas na religião. É calcada em doutrina própria, dando ênfase ao culto aos Orixás como divindades, às diversas práticas de magias, despachos e oferendas. Tem muita proximidade com os trabalhos ritualísticos da Umbanda Popular.

Entre outras...

Os segmentos Omolokô e Umbandomblé, saíram totalmente das diretrizes básicas da Umbanda, pois, particularmente, fazem uso do sacrifício de animais em rituais, prática abominável em ritualísticas umbandistas [grifo nosso]; recolhem “filhos de santo”, fazem camarinhas, raspagem, catulagem, usam quelês, realizam festas e longos cultos a Orixás, etc. A Umbanda não tem um órgão fiscalizador e normativo, e por isso, muitas práticas mediúnicas por não se encaixarem em práticas espíritas e nem candomblecistas, ganhando o status de Umbanda; é só ir a um Cartório, registrar com nome de Umbanda, e pronto. Ninguém fiscaliza nada, e a população coloca tudo como prática de Umbanda.

Deixamos em separado o segmento Umbanda Crística, pois é o seguido pela nossa casa, o “Templo da Estrela Azul – Casa de Oração e Escola Cristã Umbandista – fundado em 1937”. Inclusive, todos os apontamentos deste livro baseiam-se na doutrina esposada pela Umbanda Crística, praticada em nosso Terreiro. Muitos poderão se sentir incomodados por nos pautarmos tanto no Evangelho de Jesus, procurando seguir fielmente Seus ensinamentos, bem como também, aceitarmos práticas cristãs em nossa ritualística, doutrina e liturgia.
Com isso não estamos desmerecendo ou mesmo criticando ninguém e nem seu culto, mas achamos por bem esclarecer, para que todos possam se situar, e assim poder claramente entender o que é a Umbanda Crística.

Só podemos dizer que os Guias Espirituais militantes em todas as ramificações umbandistas, lá estão por afinidade, e realizam um trabalho caritativo dentro da realidade deles (rituais, oferendas, etc.) em conjunto com a mente e a aceitação dos seus profitentes. A Umbanda Crística guarda um vínculo muito forte e íntimo com a doutrina da Linha Branca de Umbanda preconizada pelo Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas, que tinha influências decisivas do espiritismo e do catolicismo e nada do africanismo. São palavras textuais de Zélio Fernandino de Moraes:

- O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou o sacrifício de aves e animais, quer para homenagear entidades, quer para fortificar a minha mediunidade.
- O Caboclo das Sete Encruzilhadas não admitia atabaques e nem mesmo palmas nas sessões. Apenas os cânticos, muito firmes e ritmados, para a incorporação dos Guias e a manutenção da corrente vibratória.
- Capacetes, espadas, adornos, vestimentas de cores, rendas e lamês não são aceitos nos Templos que seguem a sua orientação. O uniforme é branco, de tecido simples.
- As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Não é a quantidade de guias o que dá força ao médium.
- Os banhos de ervas, os amacis, as concentrações nos ambientes da Natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituem os principais elementos de preparação do médium. E são severos os testes que levam a considerar o médium apto a cumprir a sua missão mediúnica.

– Umbanda Crística: Aqui, daremos somente uma breve pincelada; em outra obra, esmiuçaremos pormenorizadamente sua base doutrinária.

- Umbanda praticada sem atabaques, sem palmas, sem roupagens coloridas ou qualquer tipo de adereços externos, tipo: cocares, chapéus, coroas, arcos, tacapes, tridentes, etc.
- Abomina o sacrifício de animais [grifo nosso].
- Toda calcada no Evangelho Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo, Reforma Íntima, Descarregos (desobsessão) e na prática caritativa sem fins pecuniários. Incentiva o estudo e a realização do Evangelho no lar.
- Aceita os Sagrados Orixás, não como deuses, mas sim como denominações humanas para os Poderes Reinantes do Divino Criador, a própria Natureza em si.
- Aceita alguns Santos Católicos e seus ensinamentos.
- Aceita a Codificação Kardequiana, algumas literaturas kardecistas, bem como alguns Espíritos
militantes na Doutrina Espírita e seus ensinamentos.
- Nas Giras de Caridade, os hinos de louvação, perdão, amor, pontos cantados de raiz, pontos de força e/ou pontos de poder são efetuados através de arranjos musicais. Em Giras de Desenvolvimento Mediúnico os pontos cantados são efetuados de viva voz.
- Promove a realização de evangelização para os médiuns e os assistidos, uma vez por semana.
- Reserva um dia da semana para o “desenvolvimento” mediúnico.
- Dá ênfase a realização de rezas, orações e principalmente à prática diária do Ritual do Rosário das Santas Almas Benditas.
- Atua mediunicamente com: Congregação de Trabalhos Espirituais das Santas Almas Benditas. É onde se encontram Espíritos iluminados com grande conhecimento e capacidade de manipulação energética, bem como os que estão em franca evolução. São todos os Guias Espirituais Militantes na Umbanda. A Congregação de Trabalhos Espirituais na Umbanda dividem-se em três categorias:

1ª) Linhas Mestras e Linhas Excelsas de Trabalhos Espirituais;
2ª) Correntes de Trabalhos Espirituais;
3ª) Irmandades de Trabalhos Espirituais. Ei-las:
- Linha Mestra dos Caboclos da Mata (roupagem fluídica de silvícolas) e suas Linhas Auxiliares: Linha Auxiliar dos Caboclos Sertanejos (roupagem fluídicas de Caboclos Boiadeiros e Caboclas Rendeiras), e a Linha Auxiliar dos Caboclos D ́agua (roupagem fluídicas de Caboclos Ribeirinhos e
Caboclas Lavadeiras).
- Linha Mestra dos Pretos-Velhos (Força Africana – roupagem de negros escravos) e sua Linha Auxiliar: Linha Auxiliar dos Baianos (roupagem fluídica do Povo-do-Santo).
- Linha Excelsa das Crianças. São Espíritos velhíssimos, que tem uma linha de evolução planetária em outra dimensão, usando a roupagem fluídica de crianças com no máximo 7 anos.
- Linha Excelsa dos Magos Brancos do Oriente – com grande atuação em trabalhos específicos e caritativos de cura; não atuam em consultas corriqueiras; e suas Linhas Auxiliares: Linha Auxiliar dos Ciganos (roupagem fluídica), e Linha Auxiliar dos Curandeiros (roupagem fluídica).
“As Linhas Mestras e Auxiliares de Trabalhos Espirituais” são as que se manifestam mediunicamente, trabalhando em atendimentos caritativos fraternos, com orientações pessoais.

Corrente de Trabalhos Espirituais: Elementais Sereias e Tritões (Segundo o dicionário Aurélio, “corrente ” significa: “Diz-se das águas que correm, que não se acham estagnadas”; “Deslocamento orientado das águas do mar: correntes marinhas”). São Espíritos de Elementais do mar; eles vem por ordem da Mãe Yemanjá.
Corrente de Trabalhos Espirituais das Yaras (São Espíritos de elementais ligadas as águas dos rios e riachos, bem como na água presente nos vegetais (80% dos vegetais são compostos de água); usam a roupagem fluídica de meninas; elas vem por ordem do Pai Oxossi).

“Corrente de Trabalhos Espirituais” é a que manifestasse mediunicamente, em passes e descarregos, mas não procedem a consultas. Não utilizam roupagem arquetípica. São o que são.

Irmandade de Trabalhos Espirituais dos Semirombas (Santos (as), padres e freiras) e Irmandade de Trabalhos Espirituais dos Sakáangás (benzedoras(es) rezadeiras(ros), parteiras).
Irmandades de Trabalhos Espirituais são as que se manifestam somente espiritualmente em rezas e orações, sem incorporações.
Falange de Trabalhos Espirituais: Exus (na confundir com “Èsù” dos cultos afros) e Pombas-Gira(Segundo o dicionário, Falange significa: “Formação de combate usada pelos antigos gregos. Corpo de tropas”): 

Os trabalhadores espirituais da Falange dos Exus e das Pombas-Gira são recém egressos da Banda Negra. Santo Antonio é o patrono e responsável por essa Falange. Têm duas missões essenciais na Umbanda: 

1ª) Observam e preparam os possíveis “despachos” propiciatórios, as vezes necessários, para o “Povo da Encruzilhada”, ou seja, para os Guardiões dos entrecruzamentos vibratórios, a fim de enviar, mandar embora, qualquer tipo de malefício.
2ª) Resolvem pacificamente as “demandas” suspendendo as hostilidades,
procurando alcançar amigavelmente os trabalhadores trevosos, convertendo-os ao bem, com hábil esforço.

“A Falange de Trabalhos Espirituais” é a que atua mediunicamente em trabalhos de defesa e desmanches. Por determinação da diretoria espiritual da Umbanda Crística, não é realizada “Giras” de Exus e Pombas-Gira, e nem procedem a atendimentos públicos. Por isso não é considerada uma Linha de Trabalho Espiritual. Em Giras de Caridade, em algumas exceções e precisão, a Falange dos Exus e Pombas-Gira podem se fazer presente na incorporação, isoladamente, mas somente para descarregar um assistido, sem contudo, proceder a atendimentos.

Existem muitas outras formas de vivenciar a Umbanda e todas se forem feitas do amor, com amor e por amor serão legítimas. Muitas outras formas existem, mas não têm uma denominação apropriada. Se diferenciam das outras formas de Umbanda por diversos aspectos peculiares, mas que ainda não foram classificadas com um adjetivo apropriado para ser colocado depois da palavra Umbanda. Por isso, é infrutífero e estéril qualquer tipo de discussão sobre quem pratica a “verdadeira Umbanda”. É bom cada um se situar na ramificação seguida, e procurar fazer o melhor possível, pois a Espiritualidade Maior não acoberta erros. Como diz o Senhor Caboclo Araribóia: “passarinho que dorme com morcego, amanhece de ponta cabeça”.

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Extraído de “O ritual do Rosário das Santas Almas Benditas”
Download gratuito do livro completo aqui
*Grifos nosso

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Imagem de topo: “Machina” - acrílico sobre tela de Beatriz Milhazes