As Umbandas dentro
da Umbanda (Ramificações – Subgrupos)
Vamos elucidar sobre
essa questão delicada e necessária, pois o leigo fica confuso com
tantos tipos de rituais,
liturgias e doutrinas, todas usando a
denominação “Umbanda”. Para quem não conhece a fundo, isso
torna-se
estranho e acabam por dizerem: Você pratica a Umbanda
Branca? Você pratica Quimbanda? No seu Terreiro
tem despacho? No
seu Terreiro tem atabaque? Então, para dirimir essas dúvidas, vamos
sucintamente
esclarecer os vários “tipos” de Umbandas
conhecidas por nós, existentes em solo brasileiro, para que cada um
possa agora entender e respeitar as práticas das mais variadas
umbandas existentes.
Desde a sua iniciação,
a
Umbanda tem sofrido modificações em seu modo de ser e operar.
Dessas modificações, cada um deu uma
roupagem e deviam dar uma
nomenclatura própria para se situarem perante a comunidade. Cremos
que tudo
isso não se deu pelo simples fato de cada um querer impor
a sua verdade, mas simplesmente estavam
realizando aquilo que suas
mentes achavam estar correto.
Cada um, com certeza
deu tudo de si, para o que
estava fazendo frutificasse, e no fim,
todos estavam envidando esforços para praticarem o que entendiam
como
Religião de Umbanda. Hoje temos várias ramificações da
Umbanda que guardam raízes muito fortes com as
bases iniciais, e
algumas que absorveram características de outros cultos, mas que
mantém a mesma essência
nos objetivos de prestar a caridade, com
humildade, respeito e fé.
Antes do advento do
Caboclo das Sete Encruzilhadas, o que existia era conhecido
como “Macumba”; onde
podemos encontrar uma forte influência de
práticas do Catimbó, bem como da Magia africana praticada por
alguns, pois o Candomblé estruturado surgiu no Rio de Janeiro muito
tempo depois da Umbanda (segundo
informações do antropólogo
Reginaldo Prandi). Ainda não se conhecia o termo “Umbanda”. João
do Rio, em
sua obra “Religiões do Rio” de 1904, onde pesquisou
toda a religiosidade existente na antiga Capital Federal,
não citou
em nenhum momento o nome Umbanda; portanto, poderiam existir
manifestações de Índios, Pretos-
Velhos, etc., aqui e acolá,
remanescentes do Catimbó, ou mesmo os primeiros bruxuleios da nova
modalidade religiosa, mas ainda
não se tinha iniciado a religiosidade de Umbanda, coisa que viria
mais tarde, em 1908,
através da mediunidade de Zélio Fernandino de
Morais, com o Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas
[grifo nosso].
Vamos disponibilizar um
texto muito interessante e inteligentemente escrito pelo senhor
Cláudio Zeus, em seu
livro: “Umbanda sem medo” (disponível
gratuitamente em seu blog):
Umbanda – Uma seita
afro?
Por que é importante
sabermos que o termo Umbanda, como Culto ou religião,
pertence ao
Caboclo das Sete Encruzilhadas.
A importância da divulgação
desse tema se prende a fatores que, embora possam parecer fúteis, a
uma
primeira vista, (e apenas a uma primeira vista) na verdade
coloca freios em muita gente que insiste que faz
Umbanda e que, além
de não conhecer suas origens, nada faz de Umbanda – é isso que
incomoda e faz com
que muitos tentem minimizar ou até mesmo
desqualificar a importância que Zélio e o Caboclo das Sete
Encruzilhadas têm para o que ele chamou Umbanda. Vou tentar
explicar os meandros e as segundas intenções
desse tema de debate
que muito se vê pelas comunidades do Orkut, MSN e outros.
1º Ponto: Nunca,
ninguém havia chamado de Umbanda a nenhum tipo de culto
anteriormente. O que tentam
fazer hoje é aproximar o termo embanda
(afro) que quer dizer curandeiro para uns (e chefe de culto para
outros) e não algum tipo de culto como esse que o Caboclo
chamou Umbanda – o culto;
2º Ponto: O Caboclo
deixou algumas informações precisas sobre o que seria Umbanda, e
isso é o que
incomoda mais porque, se observarmos essas diretrizes,
aí sim, veremos que alguns grupamentos não
poderiam se chamar de
Umbanda, o que leva alguns outros a “desconhecerem”, muito
propositalmente, o texto
que será apresentado abaixo e chegarem a
dizer que o que o Caboclo fez foi apenas uma “socialização”
do que
já havia antes, o que, para qualquer um que saiba ler (e nem
precisa interpretar) vai perceber que não poderia
ser.
Vamos ver o que o
Caboclo nos deixou de informações sobre o Culto que ele
mesmo diria – iniciar-se naquele
dia. Preste atenção porque aqui
se define o que é a Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas
(palavras do
Caboclo):
Aqui
inicia-se um novo culto em que os Espíritos de Pretos-Velhos
africanos, que haviam sido
escravos e que desencarnaram não
encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já
deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de
feitiçaria e os índios nativos da nossa
terra, poderão trabalhar
em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor,
raça, credo ou
posição social. A prática da caridade no sentido
do amor fraterno, será a característica principal deste culto, que
tem base no Evangelho de Jesus e como Mestre Supremo Cristo
Percebemos então,
nestes 03 trechos que:
a) Esse era um
novo culto – O Caboclo afirmou ser um novo culto e não uma
corruptela de algo já
existente;
b) Que esse novo
culto se distanciava das seitas negras deturpadas e dirigidas para a
feitiçaria, porque os
próprios Pretos-Velhos africanos e os índios
nativos de nossa Terra (Os chamados Caboclos) não
encontravam campo
de ação (possibilidade de trabalharem) nesses grupamentos – Isso
era o que
existia antes e era disso que Umbanda, então criada,
deveria se distanciar;
c) Esse seria
um Culto embasado no Evangelho de Jesus, reconhecendo-o, inclusive,
como “MESTRE
SUPREMO”
[grifo nosso].
Por
que eu lhe afirmo que divulgar isso, inclusive até mesmo a
existência de Zélio e do Caboclo, não se torna
interessante para uma grande parte? Porque, após a criação e não
socialização ou codificação do que já
existia, muitos dos
inúmeros grupamentos já existentes, (como acontece até hoje),
passaram a se
autodenominar Umbanda, mesmo passando por cima desses
preceitos deixados pelo Caboclo, criando-se
então, a
confusão que encontramos hoje, inclusive com alguns afirmando que a
Umbanda tem que se afastar
dos ensinamentos cristãos e abraçar
mais os fundamentos afro... Mas como isso poderia ser, se a Umbanda
foi
criada em cima de bases cristãs?
O que se percebe então?
Percebe-se que há um movimento deturpatório do
que foi deixado
pelo CDSE (Caboclo das Sete Encruzilhadas), em função
das “vontades” daqueles que
resolveram ir fazer cabeça no
Candomblé e depois vieram “bater Umbanda”, como gostam de dizer.
Ora... bater
Umbanda, como se Umbanda fosse Candomblé? Em Candomblé
sim, “se bate para os Orixás” porque os Xirês
são nada mais
do que festividades, toques, como também chamam em louvor aos Orixás
e nunca foram Giras
de Caridade.
Todos os atendimentos
em Candomblés de raiz só são feitos pelo Babalorixá ou Yalorixá
e através dos jogos
de búzios, opelês (em menor quantidade) e
obís. Não há consultas dentro dos Xirês e, nos que hoje há, é
porque já se modificaram e se distanciaram de suas raízes, até
porque, quem bate papo e dá consultas são os
eguns ou catiços,
como são chamados alguns tipos de Caboclos e entidades
intermediárias. E vejam que até
hoje, os Pretos-Velhos, que seriam
remanescentes dessa mesma crença, por “terem sido escravos, negros
e
africanos” ainda não são aceitos na maioria dos Candomblés.
Alguns aceitaram alguns Caboclos porque muitos
ainda crêem que eles
também são encantados.
Minimizar, ou não
divulgar o que era a verdadeira Umbanda, a de raiz, a do Caboclo
das Sete Encruzilhadas é,
e sempre será importante para os que
têm medo da verdade e pretendem abrir Terreiros com fundamentos
estranhos, de matanças, feitiçarias, amarrações, etc.
[grifo nosso], e se
anunciarem como Umbanda. No meu entender, o
mais honesto seria que
cada grupamento que hoje se diz apenas de Umbanda, se intitulasse,
como outros que
já o fazem, por exemplo: Umbanda Omolocô, Umbanda
Cabula, Esotérica, de Angola e outras mais, já que
fogem às
Regras básicas que o Caboclo deixou para o seu novo culto (ou
seja: não são de bases cristãs), para
não deixarem aqueles que
nada entendem disso sem saberem, afinal, a que tipo de Umbanda estão
adentrando.
O que essas pessoas têm
que colocar na cabeça é que o nome Umbanda, como culto, pertence ao
CDSE
(ainda que ele não a tenha registrado) e mesmo eu ou
você, que praticamos a Umbanda Traçada (que é
diferente da
Umbandomblé embora muitos confundam), temos que reconhecer que não
seguimos a linha
doutrinária determinada pelo CDSE –
Umbanda com base totalmente cristã – o que não nos tira qualquer
valor
ou mérito, já que os objetivos finais – Caridade e Amor
Fraterno – também são buscados, apenas por caminhos
diferentes.
O que essas pessoas têm
que pôr na cabeça é que devem assumir o tipo ou subgrupo de
Umbanda que
seguem e, jamais quererem mudar o principal da Umbanda
que é a fé, a caridade, o amor ao próximo e,
principalmente,
também devem assumir que, se estão ligados a Espíritos e
encarnados que só sabem fazer
feitiçarias, mandingas, amarrações,
intrigas, então, nem o nome Umbanda deveria ser usado em seus
Cultos, já
que, desde a criação, isso foi contrariado pelo
Caboclo.
Escrevi acima que
Umbanda Traçada é diferente de Umbandomblé e, para muitos, isso
pode parecer estranho,
mas não é.
Acontece que existem,
generalizando, três tipos de Umbanda [a Umbanda propriamente dita,
criada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, a Umbanda Traçada
e o Umbandomblé] e as explico abaixo:
– Umbanda: A
que foi criada pelo CDSE, com bases claramente cristãs –
até os Terreiros que foram
criados pelo Caboclo tinham nomes
de Santos católicos. Os praticantes dessa Umbanda não admitiam
(e
acho que ainda não admitem) bebidas ou atabaques em seus rituais.
Quando muito, o fumo das
entidades;
*Nota do autor: Essa
Umbanda nós conhecemos como: LINHA BRANCA DE UMBANDA – Oriunda do
Caboclo das Sete
Encruzilhadas manifestado no médium Zélio
Fernandino de Moraes que lançou as bases dos ensinamento de Jesus
na
Umbanda, baseada na caridade sem fins pecuniários e na doutrina
dos Evangelhos. Não tinha sujeição a Orixás,
atabaques, feituras
de santo, adereços e nenhuma influência dos cultos afros. Todas as
outras ramificações guardam
vínculos com a Linha Branca de
Umbanda do Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Leal de Souza
dirigia a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, uma das
filiais que formam o septo de casas fundadas
pelo Caboclo das Sete
Encruzilhadas, relatou ao Jornal de Umbanda, na edição de Outubro
de 1952, que coubera ao
Caboclo das Sete Encruzilhadas a incumbência
de organizar a “Linha Branca de Umbanda”, seguindo as
determinações dos
“Guias Superiores” que regem o planeta.
Leal de Souza, em
seu livro “O ESPIRITISMO, A MAGIA E AS SETE LINHAS DE UMBANDA –
1933” escreveu: “A Linha
Branca de Umbanda e Demanda tem o seu
fundamento no exemplo de Jesus...” – “O objetivo da Linha
Branca de Umbanda
e Demanda é a prática da caridade, libertando de
obsessões, curando as moléstias de origem ou ligação espiritual,
desmanchando os trabalhos de magia negra, e preparando um ambiente
favorável a operosidade de seus adeptos...” –
“Para dar
desempenho a sua missão na Terra, o Caboclo das Sete Encruzilhadas
fundou quatro Tendas em Niterói e nesta
cidade, e outras fora das
duas capitais, e todas da Linha Branca de Umbanda e Demanda...” –
“A Linha Branca de
Umbanda e Demanda está perfeitamente
enquadrada na doutrina de Allan Kardec e nos livros do grande
codificador, nada
se encontra susceptível de condená-la...” –
“E o amor de Deus e a prática do bem são a divisa da Linha Branca
de
Umbanda e Demanda”.
Este termo foi
realçado no 1o Congresso Nacional de Umbanda sob o título:
“INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA LINHA
BRANCA DE UMBANDA” – Memória
apresentada pela Cabana de Pai Thomé do Senhor do Bonfim, na sessão
de 26 de
Outubro de 1941, pelo seu Delegado Sr. Josué Mendes.
Visava o estudo aprofundado da temática mediúnica, bem como
diferenciar as práticas umbandistas tradicionais das práticas
emergentes onde a mistura de cultos afros com Umbanda já se fazia presente. Com
isso, a partir daí, toda prática umbandista distanciada de
ritualísticas afro, baixas magias, despachos
para o mal, etc., e
aproximada das práticas preconizadas pelo Evangelho Redentor,
vestuário branco, orações,
desobsessão, etc., era rotulada pelo
povo de “Umbanda Branca”.
Com tudo isso, a partir daí,
diferenciando as práticas de baixo espiritismo, totemismo,
feitiçarias, macumbarias e qualquer
sorte de malefícios, o povo
passou a classificar as práticas de Umbanda voltadas a caridade,
evangelização, desobsessão,
bênçãos, desmanches de magias
negras, etc., como práticas da “Umbanda Branca”. Esse termo
ficou plantado na mente do
povo como designativo de Umbanda voltada
ao amor e a Espiritualidade Superior. Até hoje, 2009, quando muitos
assistidos
entram num Templo Umbandista, imediatamente perguntam:
Aqui pratica-se Umbanda Branca?
Hoje, observamos
muito irmãos umbandistas se apegarem ao fato de quem se intitular
praticante da “Umbanda Branca”
está sendo preconceituoso, pois,
jocosamente, dizem não existir também Umbanda vermelha, Umbanda
verde, etc.
Esqueceram-se o fato importante, de muito indivíduos
abrirem suas casas com o nome de Umbanda, mas praticam cultos
estranhos, distanciados no Evangelho Redentor. Por isso, para
diferenciar a Umbanda original das práticas estranhas, com doutrinas, magias,
crenças e rituais que nada aproximavam no preconizado por Nosso
Senhor Jesus Cristo, defendido pelo
Senhor Caboclo das Sete
Encruzilhadas e seus seguidores, se intitulava, de “Linha Branca de
Umbanda”. Não adianta
querermos tapar o Sol com a peneira; somos
sabedores da existência de muito Terreiros que se denominam de
Umbanda,
mas estão largamente distanciados da linha mestra.
Portanto o termo
“Umbanda Branca” foi e é usado pelo povo, para saberem se o
local que estão entrando, prática magia
branca. É só isso.
– Umbanda Traçada:
A que admitiu (a princípio ou posteriormente) a presença (como
trabalhadores)
dos Exus e Pombas-Gira, personagens da Quimbanda que
eram até temidos no início e hoje já viraram
Guardiões, e outras
entidades intermediárias, trabalhadores de excelente performance,
sempre visando
a caridade, porque, se assim não for, não podem se
considerar Umbanda. É chamada de Traçada ou
Cruzada porque nela
existe o cruzamento (ou entrelaçamento) de dois tipos de
trabalhadores: os de
Umbanda (Caboclos - índios nativos - e Pretos
Velhos) e os de Quimbanda (Exus, Pomba-Gira, Bugres,
Malandros,
etc.);
* Nota do autor:
Essa Umbanda nós conhecemos como: Umbanda Traçada, Mista ou Cruzada
– Tem influência do
Catimbó, do sincretismo e suas práticas.
Faz uso indiscriminado de oferendas, despachos e algumas casas, de
bebidas
alcoólicas. Sem cunho e estudo doutrinário próprio. Tem o
uso de atabaques e/ou tambores. Largo uso de roupagens
coloridas,
adereços, danças e festas (internas e externas). Tem muita
proximidade com os trabalhos da Umbanda Popular.
– Umbandomblé:
Todas as Umbandas que praticam em seus Cultos, os ritos absorvidos
dos
Candomblés, seja de que nação forem. Nessas
Umbandas há “toques” para Orixás, costumam usar
brajás ao invés de guias, recolhem “filhos de santo”, usam
quelês, sacrificam e colocam “oxu” nos oris
de seus adeptos ...
e por aí vai. O que as assemelha à Umbanda original e as afasta do
Candomblé de
raiz é o trabalho com entidades tipo Pretos-Velhos e
Caboclos e mesmo Exus infiltrados (porque esses
não são os
Orixás-Exu das nações) que vêm, ...... aí sim, trabalhar para a
caridade.
*Nota do autor: Essa
Umbanda nós conhecemos como Umbanda Omolocô (também conhecida como
Umbanda Primitiva,
de Almas e Angola): Iniciada pelo Tatá Trancredo
da Silva em 1950, onde encontramos um misto entre os Cultos,
liturgias,
rituais africanos (bantu) e o trabalho direcionado por
Guias Espirituais. Faz uso de camarinhas, sacrifícios de animais,
ebós,
raspagens, catulagem, etc. Usando a Umbanda como fonte
matricial, para esta via alternativa, Tancredo organizou o que
vulgarmente é denominado de Umbandomblé. Influenciou grandemente as
práticas da conhecida Umbanda Popular
As Umbandas Traçadas ou
Cruzadas não absorveram, necessariamente, ritos e práticas afro, e
essa é a
grande diferença delas para a Umbandomblé. Algumas até
absorveram mais algumas entidades de Catimbó e
outros grupamentos
de raízes nordestinas e outras ainda, preferiram “cruzar” seus
ensinamentos com os dos
“Mestres Orientais”.
Eu colocaria ainda,
como subgrupo das Umbandas Traçadas ou Cruzadas, as Umbandas
Esotéricas e mesmo
as Iniciáticas, já que nelas, além dos
trabalhos com as entidades já citadas, existe a adaptação de
ensinamentos e até mesmo de entidades tidas como “orientais” e
sábios de outras nações que não as
africanas. E diria mais
ainda: Em termos de abertura para novas aprendizagens, a Umbanda
Traçada é a que
mais se encontra nessa posição, já que as
outras duas tendem a se prender muito em suas raízes (ou cristãs,
ou afro) e desmerecerem alguns dos conhecimentos mais modernos que
nos chegam através de outras
correntes de Espíritos e mesmo da
ciência.
Que isso não seja
tomado como desmerecimento para qualquer tipo de Umbanda, pois,
guardadas as devidas
proporções e se o Culto visa à caridade, o
amor fraterno e a fé, então todas têm em si a semente de Umbanda,
ainda que não seja exatamente a que o CDSE criou. Agora, se
alguém cria um agrupamento para misturarem
Cultos “ao deus dará”,
explorar a caridade, impingir medos aos seus seguidores, sair matando
cães e gatos pra
saciar suas sedes de sangue e de impressionismo...
aí, pelo amor de Deus, isso não pode ser chamado de
Umbanda!!!
[grifo nosso]
Custa muito às
diversas Umbandas se identificarem por suas raízes ou suas doutrinas
para que nem tudo seja
apenas Umbanda? Vão ficar menos Umbanda por
causa disto? Vamos a um raciocínio? Imaginemos que você
que agora
me lê, através de uma entidade ou não, venha a criar amanhã, um
novo Culto espiritualista,
digamos... “ALABANDA”, e nos diz que
este será um novo Culto que só fará trabalhos através dos Ciganos
e
Boiadeiros, por exemplo, e também será voltado exclusivamente
para as práticas Ciganas e a magia dos
Boiadeiros.
Depois de alguns
anos você vê que alguns outros grupos que passaram a se
autodenominar “ALABANDA”,
trabalham com Mineiros, com Orixás de
Nação e suas “obrigações”, com Exus, Caboclos,
Pretos-Velhos,
Baianos, Malandros, tentam decifrar o que seria
“ALABANDA”, mas não ousam perguntar a você, que foi o (a)
criador (a), o que seria, e ainda por cima, depois disso tudo ainda
começam a discutir porque acham que
“ALABANDA” deveria “voltar
às raízes afro” já que os “Orixás” são afro.
O que você diria,
honestamente? Foi isso o que aconteceu com a Umbanda criada pelo
Caboclo das Sete
Encruzilhadas. Não seria melhor que cada Alabanda
dessas que se formou após, se identificasse
convenientemente? Eis
aí o porquê de, desde muitos anos atrás (isso não é de hoje), já
se falar de codificação
de Umbanda e até hoje, ninguém saber
exatamente qual das Umbandas se vai codificar – todas, não dá
mesmo!
De minha parte posso
lhes dizer que a Umbanda que eu pratico é totalmente Cruzada e
praticamente nada nela
existe de Ritual de Nação Afro, embora
tenha que conhecer alguns fundamentos para casos em que certos
problemas mediúnicos tenham origem em entidades específicas. Talvez
a melhor descrição para ela seria de
Umbanda Aberta. Sempre aberta
para melhores conhecimentos e aprimoramentos ritualísticos que
realmente
possam ter fundamento, venham de onde vierem.
Concordamos com os
apontamos do senhor Cláudio Zeus, só diferenciando em um aspecto:
Na Tenda Espírita
Nossa Senhora da Piedade, já se trabalhava com Exus (de forma
diferenciada; lá não tinha
gira com atendimento de Exu; só vinham
para resolver casos específicos), portanto, não seria a Umbanda
Traçada que recebeu em seu seio essas entidades espirituais, segundo
o relato que comprova esse fato numa
entrevista gravada com o Sr.
Zélio Fernandino de Moraes no dia 22 de outubro de 1970, que faz
algumas
referências ao trabalho com Exus na Tenda Nossa Senhora da
Piedade: “Fita de No. 50 da Biblioteca da Casa
Branca de Oxalá.
Gravação feita com a voz de Zélio de Moraes”. (a disposição no
site:
www.casabrancadeoxala.org).
Vamos apontar outras
ramificações e/ou sub-grupos da Umbanda do nosso
conhecimento
– Umbanda de Mesa
Branca: De expressiva influência da chamada “Religião
Espírita”. Nesse tipo de
Umbanda, em grande parte, não
encontramos elementos africanos (Orixás), nem o trabalho dos Exus e
das Pombas-Gira, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo,
imagens e bebidas. Essa linha
doutrinária se prende mais ao
trabalho de Guias como Caboclos, Pretos Velhos, Crianças e Linha do
Oriente somente. Trabalham com desobsessão e curas.
– Umbanda
Esotérica: “É a vertente fundamentada pelo médium Woodrow
Wilson da Matta e Silva,
também conhecido com mestre Yapacani
(28/06/1917 – 17/04/1988), surgida no Rio de Janeiro, RJ, em
1956,
com a publicação do livro “Umbanda de todos nós”. Sua doutrina
é fortemente influenciada pela
Teosofia, pela Astrologia, pela
Cabala e por outras escolas ocultistas mundiais e baseada no
instrumento esotérico conhecido como Arqueômetro, criado por Saint
Yves D’Alveydre e com o qual se
acredita ser possível conhecer
uma linguagem oculta universal que relaciona os símbolos
astrológicos,
as combinações numerológicas, as relações da
cabala e o uso das cores”.
(http://registrosdeumbanda.wordpress.com). Apregoam que a Umbanda é
milenar, e possuem um
código doutrinário próprio, com rituais,
liturgias e sacramentos particulares.
– Umbanda
Iniciática: É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundamentada
pelo médium Francisco
Rivas Neto, onde há a busca de uma
convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Aumbhandan,
o Ponto de Convergência e Síntese. Também possuem um código
doutrinário próprio, com rituais,
liturgias e sacramentos
particulares.
– Umbandaime:
Em 1989, quando se iniciaram os trabalhos de Umbanda, na Igreja
Damisita “Céu do
Mapiá” (AM), seu iniciador, o Padrinho
Sebastião intitulou-o de Umbandaime. Tem muita proximidade
com os
trabalhos da Umbanda Popular, mais a ingestão do Ayuaska (Santo
Daime).
– Umbantimbó:
Esse termo foi introduzido por nós, para classificar as muitas
práticas de umbandas pelo
nordeste, onde, antigamente praticava-se
Catimbó, e com o tempo, transformaram-se em Umbanda.
Mas a mistura
prevalece inclusive alguns adotando ritualísticas do Candomblé, com
sacrifício de
animais. [grifo nosso] Atualmente, em São Paulo,
devido a surgirem “cursos” de Catimbó, muitos Terreiros estão
aderindo à suas práticas, introduzindo-a no seu calendário
ritualístico e litúrgico, inclusive, abrindo dias
específicos
para práticas do Catimbó.
– Umbanda Aumpram:
É a vertente fundamentada pelo médium Roger Feraudy (1923 –
22/03/2006),
surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 1986, com a
publicação do livro “Umbanda, essa desconhecida”.
Esta
vertente é uma derivação da Umbanda Esotérica, das quais foi se
distanciando ao adotar os
trabalhos de apometria e ao desenvolver a
sua doutrina da origem da Umbanda, a qual prega que a
mesma surgiu a
700.000 anos em dois continentes míticos perdidos, Lemúria e
Atlântida, que teriam
afundado no oceano em um cataclismo
planetário, os quais teriam sido os locais em que terráqueos e
seres extraterrestres teriam vivido juntos e onde estes teriam
ensinado àqueles sobre o Aumpram, a
verdadeira lei divina.
(http://registrosdeumbanda.wordpress.com)
– Umbanda Popular:
Tem forte influência de ritualísticas do Candomblé, do Catimbó,
do sincretismo e
suas práticas. Faz uso indiscriminado de
oferendas, despachos e algumas casas, de bebidas
alcoólicas. Sem
cunho e estudo doutrinário próprio. Tem o uso de atabaques e/ou
tambores. Largo uso
de roupagens coloridas, adereços, danças e
festas (internas e externas). Embora com influência do
Candomblé,
não realizam ritualísticas com sacrifícios de animais, a não ser
em alguns casos
particulares, onde alguns sacerdotes, às
escondidas, praticam tal ato numa ritualística solitária e
pessoal, mas não como prática religiosa de Terreiro. Arregimenta a
maioria dos Terreiros ditos de Umbanda. “É uma das
mais antigas vertentes, fruto da umbandização de antigas casas de
Macumbas,
porém não existe registro da data e do local inicial em
que começou a ser praticada. É a vertente mais
aberta a novidades,
podendo ser comparada, guardada as devidas proporções, com o que
alguns
estudiosos da religião identificam como uma característica
própria da religiosidade das grandes cidades
do mundo ocidental na
atualidade, onde os indivíduos escolhem, como se estivessem em um
supermercado, e adotam as práticas místicas e religiosas que mais
lhe convêm, podendo, inclusive,
associar aquelas de duas ou mais
religiões”. (http://registrosdeumbanda.wordpress.com)
– Umbanda Mirim:
Assim nominamos o subgrupo que teve e tem uma grande influência em
muitos
Terreiros. Iniciado pelo Caboclo Mirim através de seu médium
– Benjamim Figueiredo. Tem doutrina e
característica própria.
Não utiliza imagens de Santos e nem sincretismo; não fazem uso das
guias no
pescoço e nem trabalhos com Exus e Pombas-Gira. Faz uso de
tambores somente em giras de
confraternização (1 vez por mês),
roupagens somente brancas; não utiliza bebidas alcoólicas e
abomina a matança de animais
[grifo nosso].
Desvinculou-se totalmente da doutrina, ritualística e liturgias dos
cultos
afros.
– Umbanda
Eclética Maior: É a vertente fundamentada pelo médium Oceano
de Sá (23/02/1911 – 21/04/1985), mais
conhecido como mestre Yokaanam, surgida no Rio de Janeiro, RJ, em
27/03/1946,
com a fundação da Fraternidade Eclética
Espiritualista Universal.
– Umbanda
Guaracyana: É a vertente fundamentada pelo médium Sebastião
Gomes de Souza (1950-),
mais conhecido como Carlos Buby, surgida em
São Paulo, SP, em 02/08/1973, com a fundação da
Templo Guaracy do
Brasil.
– Umbanda dos Sete
Raios: É a vertente fundamentada por Ney Nery do Reis (Itabuna,
(26/09/1929 –),
mais conhecido como Omolubá, e por Israel
Cysneiros, surgida no Rio de Janeiro, RJ, em novembro de
1978, com a
publicação do livro “Fundamentos de Umbanda – Revelação
Religiosa”
.
– Umbanda Sagrada:
É a vertente fundamentada pelo médium Rubens Saraceni, surgida em
São Paulo/SP, em 1996, com
a criação do Curso de Teologia de Umbanda. Sua doutrina procura
ser totalmente independente
das doutrinas africanistas, espírita, católica, orientalista e
esotérica, pois
considera que a Umbanda
possui fundamentos próprios e independentes dessas tradições,
embora reconheça a
influências das mesmas na religião. É calcada em doutrina própria,
dando ênfase ao culto
aos Orixás como divindades, às diversas
práticas de magias, despachos e oferendas. Tem muita
proximidade
com os trabalhos ritualísticos da Umbanda Popular.
Entre outras...
Os segmentos Omolokô e
Umbandomblé, saíram totalmente das diretrizes básicas da Umbanda,
pois,
particularmente, fazem uso do sacrifício de animais em
rituais, prática abominável em ritualísticas umbandistas
[grifo nosso];
recolhem “filhos de santo”, fazem camarinhas, raspagem,
catulagem, usam quelês, realizam festas e longos
cultos a Orixás,
etc. A Umbanda não tem um órgão fiscalizador e normativo, e por
isso, muitas práticas
mediúnicas por não se encaixarem em
práticas espíritas e nem candomblecistas, ganhando o status de
Umbanda; é só ir a um Cartório, registrar com nome de Umbanda, e
pronto. Ninguém fiscaliza nada, e a
população coloca tudo como
prática de Umbanda.
Deixamos em separado o
segmento Umbanda Crística, pois é o seguido pela nossa casa,
o “Templo da Estrela
Azul – Casa de Oração e Escola Cristã
Umbandista – fundado em 1937”. Inclusive, todos os apontamentos
deste livro baseiam-se na doutrina esposada pela Umbanda Crística,
praticada em nosso Terreiro. Muitos
poderão se sentir incomodados
por nos pautarmos tanto no Evangelho de Jesus, procurando seguir
fielmente
Seus ensinamentos, bem como também, aceitarmos práticas
cristãs em nossa ritualística, doutrina e liturgia.
Com isso não estamos
desmerecendo ou mesmo criticando ninguém e nem seu culto, mas
achamos por bem
esclarecer, para que todos possam se situar, e assim
poder claramente entender o que é a Umbanda Crística.
Só podemos dizer que
os Guias Espirituais militantes em todas as ramificações
umbandistas, lá estão por
afinidade, e realizam um trabalho
caritativo dentro da realidade deles (rituais, oferendas, etc.) em
conjunto com
a mente e a aceitação dos seus profitentes. A Umbanda
Crística guarda um vínculo muito forte e íntimo com a
doutrina
da Linha Branca de Umbanda preconizada pelo Senhor Caboclo das
Sete Encruzilhadas, que tinha
influências decisivas do
espiritismo e do catolicismo e nada do africanismo. São palavras
textuais de Zélio
Fernandino de Moraes:
- O Caboclo das
Sete Encruzilhadas nunca determinou o sacrifício de aves e
animais, quer para homenagear
entidades, quer para fortificar a minha mediunidade.
- O Caboclo das
Sete Encruzilhadas não admitia atabaques e nem mesmo palmas nas
sessões. Apenas
os cânticos, muito firmes e ritmados, para a
incorporação dos Guias e a manutenção da corrente
vibratória.
- Capacetes,
espadas, adornos, vestimentas de cores, rendas e lamês não são
aceitos nos Templos que
seguem a sua orientação. O uniforme é
branco, de tecido simples.
- As guias usadas
são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Não é a
quantidade de
guias o que dá força ao médium.
- Os banhos de
ervas, os amacis, as concentrações nos ambientes da Natureza, a par
do ensinamento
doutrinário, na base do Evangelho, constituem os
principais elementos de preparação do médium. E
são severos os
testes que levam a considerar o médium apto a cumprir a sua missão
mediúnica.
– Umbanda
Crística: Aqui, daremos somente uma breve pincelada; em outra
obra, esmiuçaremos pormenorizadamente sua
base doutrinária.
- Umbanda
praticada sem atabaques, sem palmas, sem roupagens coloridas ou
qualquer tipo de adereços externos,
tipo: cocares, chapéus, coroas, arcos, tacapes, tridentes, etc.
- Abomina o
sacrifício de animais [grifo
nosso].
- Toda calcada no
Evangelho Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo, Reforma Íntima,
Descarregos
(desobsessão) e na prática caritativa sem fins
pecuniários. Incentiva o estudo e a realização do
Evangelho no
lar.
- Aceita os
Sagrados Orixás, não como deuses, mas sim como denominações
humanas para os Poderes
Reinantes do Divino Criador, a própria
Natureza em si.
- Aceita alguns
Santos Católicos e seus ensinamentos.
- Aceita a
Codificação Kardequiana, algumas literaturas kardecistas, bem como
alguns Espíritos
militantes na Doutrina
Espírita e seus ensinamentos.
- Nas Giras de
Caridade, os hinos de louvação, perdão, amor, pontos cantados de
raiz, pontos de força
e/ou pontos de poder são efetuados através
de arranjos musicais. Em Giras de Desenvolvimento
Mediúnico os
pontos cantados são efetuados de viva voz.
- Promove a
realização de evangelização para os médiuns e os assistidos, uma
vez por semana.
- Reserva um dia
da semana para o “desenvolvimento” mediúnico.
- Dá ênfase a
realização de rezas, orações e principalmente à prática diária
do Ritual do Rosário das
Santas Almas Benditas.
- Atua
mediunicamente com:
Congregação de Trabalhos Espirituais das
Santas Almas Benditas. É onde se encontram Espíritos
iluminados
com grande conhecimento e capacidade de manipulação energética,
bem como os que estão em
franca evolução. São todos os Guias
Espirituais Militantes na Umbanda. A Congregação de Trabalhos
Espirituais na Umbanda dividem-se em três categorias:
1ª) Linhas Mestras e
Linhas Excelsas de Trabalhos
Espirituais;
2ª) Correntes de
Trabalhos Espirituais;
3ª) Irmandades de
Trabalhos Espirituais. Ei-las:
- Linha Mestra dos
Caboclos da Mata (roupagem fluídica de silvícolas) e suas Linhas
Auxiliares: Linha
Auxiliar dos Caboclos Sertanejos (roupagem
fluídicas de Caboclos Boiadeiros e Caboclas Rendeiras), e a Linha
Auxiliar dos Caboclos D ́agua (roupagem fluídicas de Caboclos
Ribeirinhos e
Caboclas Lavadeiras).
- Linha Mestra dos
Pretos-Velhos (Força Africana – roupagem de negros escravos) e sua
Linha Auxiliar: Linha
Auxiliar dos Baianos (roupagem fluídica do Povo-do-Santo).
- Linha Excelsa
das Crianças. São Espíritos velhíssimos, que tem uma linha de
evolução planetária em
outra dimensão, usando a roupagem
fluídica de crianças com no máximo 7 anos.
- Linha Excelsa
dos Magos Brancos do Oriente – com grande atuação em trabalhos
específicos e caritativos de cura;
não atuam em consultas corriqueiras; e suas Linhas Auxiliares: Linha
Auxiliar dos
Ciganos (roupagem fluídica), e Linha Auxiliar dos
Curandeiros (roupagem fluídica).
“As Linhas Mestras e
Auxiliares de Trabalhos Espirituais” são as que se manifestam
mediunicamente,
trabalhando em atendimentos caritativos fraternos,
com orientações pessoais.
Corrente de
Trabalhos Espirituais: Elementais Sereias e Tritões (Segundo o
dicionário Aurélio, “corrente
” significa: “Diz-se das águas
que correm, que não se acham estagnadas”; “Deslocamento
orientado das águas do mar:
correntes marinhas”). São Espíritos
de Elementais do mar; eles vem por ordem da Mãe Yemanjá.
Corrente
de Trabalhos Espirituais das Yaras (São Espíritos de
elementais ligadas as águas dos rios e riachos, bem como na
água presente nos vegetais (80% dos vegetais são compostos de
água); usam a roupagem
fluídica de meninas; elas vem por ordem do
Pai Oxossi).
“Corrente de
Trabalhos Espirituais” é a que manifestasse mediunicamente, em
passes e descarregos, mas não
procedem a consultas. Não utilizam
roupagem arquetípica. São o que são.
Irmandade de
Trabalhos Espirituais dos Semirombas (Santos (as), padres e
freiras) e Irmandade de Trabalhos Espirituais
dos Sakáangás (benzedoras(es) rezadeiras(ros), parteiras).
Irmandades de Trabalhos
Espirituais são as que se manifestam somente espiritualmente em
rezas e orações,
sem incorporações.
Falange de Trabalhos
Espirituais: Exus (na confundir com “Èsù” dos cultos afros)
e Pombas-Gira(Segundo o dicionário,
Falange significa: “Formação de combate usada pelos antigos
gregos. Corpo de tropas”):
Os trabalhadores
espirituais da Falange dos Exus e das Pombas-Gira são recém
egressos da Banda Negra.
Santo Antonio é o patrono e responsável
por essa Falange. Têm duas missões essenciais na Umbanda:
1ª)
Observam e
preparam os possíveis “despachos” propiciatórios, as vezes
necessários, para o “Povo da
Encruzilhada”, ou seja, para os
Guardiões dos entrecruzamentos vibratórios, a fim de enviar, mandar
embora,
qualquer tipo de malefício.
2ª) Resolvem
pacificamente as “demandas” suspendendo as hostilidades,
procurando alcançar
amigavelmente os trabalhadores trevosos, convertendo-os ao bem, com
hábil esforço.
“A Falange de
Trabalhos Espirituais” é a que atua mediunicamente em trabalhos de
defesa e desmanches. Por
determinação da diretoria espiritual da Umbanda Crística, não é
realizada “Giras” de
Exus e Pombas-Gira, e nem procedem a
atendimentos públicos. Por isso não é considerada uma Linha
de
Trabalho Espiritual. Em Giras de Caridade, em algumas exceções e
precisão, a Falange dos Exus e
Pombas-Gira podem se fazer presente
na incorporação, isoladamente, mas somente para descarregar um
assistido, sem contudo, proceder a atendimentos.
Existem muitas outras
formas de vivenciar a Umbanda e todas se forem feitas do amor, com
amor e por amor
serão legítimas. Muitas outras formas existem, mas
não têm uma denominação apropriada. Se diferenciam das
outras
formas de Umbanda por diversos aspectos peculiares, mas que ainda não
foram classificadas com um
adjetivo apropriado para ser colocado
depois da palavra Umbanda. Por isso, é infrutífero e estéril
qualquer tipo
de discussão sobre quem pratica a “verdadeira
Umbanda”. É bom cada um se situar na ramificação seguida, e
procurar fazer o melhor possível, pois a Espiritualidade Maior não
acoberta erros. Como diz o Senhor Caboclo
Araribóia: “passarinho
que dorme com morcego, amanhece de ponta cabeça”.
_____________________
Extraído de “O
ritual do Rosário das Santas Almas Benditas”
Download gratuito do livro completo aqui
*Grifos nosso
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